Publicado por: Raquel | julho 16, 2008

Férias PARA O PROFESSOR…

Não acho que lecionar seja um sacerdócio, afinal lecionamos e somos remunerados por isso, como qualquer outro profissional. Mas convenhamos que é uma profissão diferente. A começar pela “clientela”, no meu caso, crianças e adolescentes, em sua maioria, nem um pouco interessada em “receber” meus serviços. Por aí já começa a “estranheza”.Tenho de vender meu “peixe” a “fregueses” que não querem comprá-lo de forma alguma. Pior, leciono Língua Portuguesa e Literaturas, ora,  eles    falam  português desde o  gugu-dadá:

 

– “Fessora”, pra  que eu  vou  querer aprender a falar português, se  eu    falo e todo  mundo  entende, pra que  saber o  que  esses “caras” antigos escreveram??!!

 

Então, além  de  lecionar a matéria propriamente dita, precisamos “seduzir” o  alunado para  a idéia do  conhecimento,despertar  neles o  amor  pelo  “saber”… Na minha opinião essa é a tarefa mais árdua do  professor, descobrir o  como ser capaz de despertar aquele  aluno  que  não  quer  nada com  nada,  e fazer  isso  com  cada um  dos  alunos de  uma  turma,  pois  cada um  é  único e  vai  ter  uma  “chavezinha” particular, onde esse tão  desejado interesse  poderá ser  ligado. A dificuldade é descobrir onde está a chave…

 

A proximidade que se estabelece durante esse processo também é peculiar à profissão, pois  para  atingir  os objetivos, o professor  não  pode ser  um  profissional como os  outros, ele não  pode ser  impessoal e manter uma distância profissional. Precisa se “misturar” à turma, fazer  parte dela e acaba mesmo se  apegando, criando laços com essas “criaturinhas” que tanto trabalho  dão para  prestar atenção à aula,  mas  que  nos  gratificam enormemente quando exclamam no  meio  de uma explicação do  professor:

 

Caramba!!! Eu entendi. Agora  eu  entendi, “fessora”!

 

E você percebe que o entendimento foi mesmo pleno, e o melhor, percebe que o  aluno ficou  feliz por  entender. Você  finalmente achou a “chavezinha”!

 

E aí, acontece! Chegam as férias, que são necessárias, é claro. Fechamento dos Diários, fechamento das notas. Mas além de professores, somos pessoas, e emoções não se fecham com uma simples rubrica ao  término  da página,  como se  faz  com os  Diários de  Classe. Afinal aquelas pessoas e suas dificuldades, suas conquistas, já  fazem  parte  da sua vida  também. Uns mais  chegados,  outros menos, mas de  alguma  forma você  deu  uma  parte  de  você para  cada uma daquelas  pessoas, e lá  vão  elas…

 

Ainda bem que são só  as  férias  de meio de  ano… Passam  rápido…

 

Não é sacerdócio, mas que  é  uma profissão peculiar,  isso não    como  negar.

 


Responses

  1. haha sempre quis saber como seria ser professor, vc
    me mostrou muito nesse texto ehua =], adorei seu blog, voce escreve muito bem é obvio e professora de portugues hahah, acho que a forma de ensinar e que conta e nao em si a materia… haha beijos…

  2. como o a anderson ai disse , voce escreve muito beem . ‘ainda bem que feeerias do meio do ano passa rapido ‘
    adoorei ; * beeeijos , voltarei mais vezes.

  3. E ai x];

    queria escrever algo que emocionasse pessoas ao ler, que as conseguissem viajar assim como viajo lendo certos livros algo romantico nao sei ainda =]…
    so de passagem, admiro a sua escria e obrigado pelos elogios…

    beijos ate mas…

  4. Mas que cabeca a minha sem querer deletei o comentario que gostei tanto, pensando que ja tinha aprovado ele u.u… hahaha to aprendendo a mexer nisso aqui ainda…

  5. Anderson, depois passo lá e deixo o comentário de novo…rs
    Acho que lembro mais ou menos o que escrevi. Senão as mesmas palavras, ao menos a essência vai ser a mesma. Vou tomar a liberdade de indicar um livro para você ler, acho que vai gostar ” O Morro dos Ventos Uivantes”.

    Gabrielle, volte mesmo, e deixe o endereço do seu Blog aqui para que eu possa visitá-lo.

    Sou meio “tonta” nisso aqui ainda, não consigo chegar ao blog de vocês só seguindo o comentário que deixam aqui. Se tiver um jeito de fazer isso, me insinem. (professor também aprende , tá!?)

    Bjokas nos dois!

  6. Obrigado eu vou dar uma olhada no livro =]….
    E obrigado pela paciencia rsrs

  7. Sacerdócio, profissão peculiar, só sei que, assim como qualquer profissão, quem a fizer com amor, paixão, dedicação, tesão, empenho, sempre fará a diferença

  8. eu sou nova e nao intendo muito ainda .
    o endereço é : http://www.gabriielle.wordpress.com

    beeeijos ; *

  9. Também sou professor – e de Literatura Brasileira, em pré-vestibular. Só não encaro essa mísera quinzena como férias. Encaro como recesso. Se férias fossem, exigiria de meu patrão 1/3 do salário, como manda a lei.

    Retorno, infelizmente, na segunda, tentando estimular a rapaziada a vencer obstáculos e a entrar na única instituição que realmente vale a pena: a universidade pública.
    É duro.

    Sucesso para vc, menina.
    Abraços

  10. Ora, assim como temos um bom pedreiro e um mau pedreiro, um bom padeiro e um mau padeiro, temos um bom professor e um mau professor. Entretanto, na formação de uma criança ou um jovem, ser ensinado por um mau professor é um mal que se faz a todos que com este consideram que aprendem alguma coisa. Amor é a única razão pela qual eu entendo que alguém se diponha a ensinar como profissão. Porque se for dinheiro…

    Bons Ventos.

  11. Minha irmã é professora e ela sofre viu!
    hahaha
    E ela é por amor mesmo, que se num fosse, já teria ido para outra profissao

    Bom BLog

  12. Como professora de história, compreendo você perfeitamente.


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