Publicado por: Raquel | setembro 6, 2008

Comer ou não comer a galinha?

 

 

Voltando aos comentários e tentando  responder ao questionamento   que o Wilhelm fez  no post  “Aula grátis: texto descritivo – Motor de busca”

Por: Wilhelm em Agosto 12, 2008
às 11:58 pm

 Uhm… uma pergunta qualquer me traz à tona um questionamento muito diferente, mas sempre pertinente.

Se você recusa-se a comer carne e alguém te diz: “ou você come esta carne de galinha, ou eu mato outra galinha.” O que você faz? =)

Escolhi  esse comentário  para  responder,  primeiro  porque  a  pergunta  foi  inusitada e  depois,  porque  me  remeteu  à  lembrança  deu  uma  situação estranha que  já  vivi com  galinhas.

Há  muito  tempo,  numa  outra  vida,  tive  a idéia  de ter  uma  existência o mais   saudável possível, e para  mim  isso  significava menos  agrotóxicos,  menos  hormônios na  carne…  Fui  morar  em uma  casa  com  quintal  imenso,  fiz  vários  canteiros de verduras,tomate,  quiabo,  aipim,  criei uma  “roça” urbana. Fiz  canteirinhos bonitinhos, como  aqueles  do gibi do Chico  Bento. Produzia  verduras  fantásticas. Também  resolvi  criar galinhas. Até  aí tudo  indo  perfeitamente normal,  ou  quase.

O que  começou  a despertar estranhamento  nas  pessoas  em  volta foi  o  fato  de  eu  não comer as  galinhas. Eu me  apeguei  as bichinhas, usava  os  ovos  fornecidos por  elas, mas a  idéia de  cortar  o  pescoço de  uma  delas me  repugnava  completamente. Eu  gosto  de frango,  mas  as  “minhas”  galinhas  se transformaram  em  bichinhos  de  estimação, eu  conhecia  cada  uma  delas, alimentava e  acompanhava  o  desenvolvimento. Não,  positivamente  não  havia  chance  alguma  de  uma  das  minhas  galinhas  ir  parar  na  panela. Quando  eu  queria cozer  um  frango, ia  ao  aviário  e comprava  um “estranho”.

Mas  como  tudo  muda  o  tempo  todo,  a mudança  chegou  e com  ela o  problema. Precisei  literalmente  mudar  de casa,  e para  onde  eu  ia  não havia  espaço para  as  minhas  galinhas. o  que  fazer  com  elas? Para  todos  ao  meu  redor  era  muito  simples. Cozinhe as  galinhas! E  não  faltavam  receitas: ao  molho  pardo, com  cenoura e  chuchu fica ótima, frango  com  quiabo, assadinha, frita,  refogada, ensopada… Choviam  sugestões  gastronômicas  de como  eu  deveria  degustar  minhas  galinhas. Ninguém  conseguia  entender que  eu  não  podia simplesmente comê-las,  isso  pra  mim  era  quase como praticar canibalismo, antropofagia. Eu  simplesmente  não podia.

Concluindo  e  respondendo à pergunta  do  comentário: Não  comi  sequer uma  coxinha das  minhas  galinhas, tive  de doá-las aos  parentes  e vizinhos e deixar  que  matassem e degustassem todas.

Abs

Raquel


Responses

  1. Obrigado Raquel. A questão toda que eu coloco é que praticamente não existe uma natureza livre, nem para os animais (pois eu não vejo bois selvagens vivendo nos campos por onde passam – todos têm “donos”), é como se a natureza só existisse através do documentário, mas não dentro de cada um.

  2. Obrigado Raquel… é precisamente onde reside minha dúvida. Onde está a vida que, há muito tempo atrás, era possível? Onde está a natureza que um dia esteve presente dentro de cada um em conjunto com seu meio-ambiente, e não através da esterilização, controle, propriedade, utilidade ou domínio da natureza, fauna e flora? E o pior… mesmo se todos os animais fossem soltos na natureza, do que eles iriam se alimentar, se “o homem” domina a produção do alimento e as terras?

    A meu ver o que se extingue não são as espécies, é a própria natureza.


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